A história do Refúgio de Cacupé começa desde antes de o local se tornar uma pousada, acolhendo sonhos, encontros e memórias familiares na ponta de um dos bairros mais tranquilos de Florianópolis.
O empreendimento familiar começou a tomar forma em 1992. Naquele ano, o arquiteto e professor Nelson Saraiva iniciou um projeto que atravessaria décadas. Mais do que erguer um prédio, ele imaginou um espaço integrado à paisagem da Baía Norte.
A localização já oferecia elementos decisivos: o mar diante da propriedade, o relevo do terreno e a vegetação ao redor. Por isso, a construção cresceu em diálogo com esse cenário. A vista, o jardim e a luz natural passaram a orientar a experiência do lugar.
Antes da pousada, um lugar de encontros
Antes do início da hospedagem, o terreno já reunia pessoas e histórias. Durante os verões, grupos de amigos gaúchos chegavam ao Cacupé, armavam barracas e passavam dias cercados pela natureza.
Entre esses visitantes estava o fotógrafo Luiz Carlos Felizardo, o “tio Feliz”. Conhecido pela produção em preto e branco, ele registrou as pedras e o litoral na série “Viagem às Rochas de Cacupé”, de 1982.
Além disso, Felizardo acompanhava os encontros com música. Quando a noite chegava, o violão aproximava amigos em torno de chacareras, zambas e sambas. Assim, muito antes dos quartos receberem viajantes, o espaço já cultivava hospitalidade.
Um projeto construído ao longo do tempo

A obra iniciada por Nelson Saraiva avançou durante décadas. Esse processo prolongado deixou marcas na arquitetura, no jardim e nos detalhes preservados pela família.
Ao mesmo tempo, árvores, orquídeas e bromélias cresceram junto com a propriedade. Um dos símbolos dessa relação é o ipê-rosa apelidado de “Balão Rosa” por Nelson Saraiva. Sua floração anual mantém viva uma lembrança do idealizador.
Mais recentemente, depois de décadas de construção, a família dá continuidade ao empreendimento oferecendo uma hospedagem tranquila e memorável para quem visita a cidade.
Da residência sonhada ao Refúgio do Cacupé

A mudança não apagou o caráter familiar do lugar. Pelo contrário, permitiu compartilhar com novos visitantes uma história que já existia. Hoje, os hóspedes encontram quartos voltados para o mar, jardim arborizado, café da manhã e acesso direto à praia.
A cultura também passou a integrar essa nova etapa. O Espaço Pedra Saraiva de Cultura recebe apresentações, exposições e outros encontros artísticos. Dessa forma, a pousada mantém a convivência entre paisagem, memória e criação.
Conhecer a história do Refúgio do Cacupé ajuda a compreender por que ele não parece apenas um meio de hospedagem. Cada período acrescentou uma camada ao espaço: o projeto de 1992, os verões entre amigos, a vegetação cultivada e a chegada dos hóspedes.
Uma história que ainda pode ser aprofundada
A trajetória familiar ainda guarda capítulos que merecem registro. Fotografias da obra, plantas originais, relatos dos primeiros verões e lembranças dos moradores podem fazer mais do que apenas olhar para o passado.
Eles ajudam visitantes e novas gerações a compreender como o lugar ganhou forma. Cada documento acrescenta contexto ao que hoje se vê nas sacadas, nos caminhos do jardim e nos espaços culturais.
Agora, quem atravessa o jardim e observa a Baía Norte participa dessa continuidade. A experiência atual nasce de uma construção lenta, familiar e profundamente ligada ao Cacupé.