Um jardim cultivado há quase 50 anos: memórias e natureza no Refúgio do Cacupé

Um jardim antigo sempre carrega uma história que atravessa estações e guarda sinais de quem cuidou dele. No Refúgio do Cacupé, essa história começou há quase 50 anos.

Desde então, árvores, orquídeas e bromélias passaram a compor um espaço amplo e arborizado. A vegetação não funciona apenas como cenário. Ela acompanha a arquitetura, cria sombra e conduz o caminho até o mar.

Por isso, caminhar pelo jardim também significa percorrer parte da memória da propriedade. Algumas plantas foram escolhidas por sua beleza. Outras ganharam valor afetivo ao longo do tempo.

O “Balão Rosa” e a memória de Nelson Saraiva

Entre as árvores do Refúgio, um ipê-rosa ocupa lugar especial. Nelson Saraiva, arquiteto que idealizou a pousada, o chamava carinhosamente de “Balão Rosa”.

Quando floresce, geralmente em setembro, o ipê muda a paisagem por alguns dias. Nesse período, a copa se cobre de rosa e contrasta com o verde do jardim e os tons do litoral.

Entretanto, seu significado vai além da floração. A árvore mantém presente a relação de Nelson com a arquitetura e com a natureza, mostrando que ele não pensou nesses elementos separadamente.

Assim, o jardim ajuda a contar como o empreendimento foi concebido. A construção deveria conviver com o terreno, a vegetação e a vista, em vez de competir com eles.

Orquídeas, bromélias e árvores que acolhem

O Refúgio abriga uma grande diversidade de árvores, orquídeas e bromélias. Juntas, essas espécies formam diferentes texturas, alturas e cores durante o ano.

Além disso, a vegetação atrai pássaros e amplia a sensação de contato com a natureza. O canto das aves, a mudança da luz e o movimento das folhas tornam cada caminhada diferente.

Para o hóspede, o jardim oferece várias formas de aproveitar o tempo. É possível descansar à sombra, observar a paisagem, fazer um piquenique ou seguir até a praia.

Essa proximidade entre verde e mar cria uma experiência pouco comum em Florianópolis. Em poucos passos, o visitante sai de um ambiente arborizado e alcança a margem da Baía Norte.

Um jardim vivo, não uma decoração

Quase cinco décadas de cultivo exigem continuidade. Plantas crescem, outras precisam de novos cuidados e cada estação transforma o espaço. Portanto, o jardim permanece em evolução.

Ao mesmo tempo, ele conserva lembranças. O ipê remete a Nelson Saraiva. As espécies mais antigas acompanham diferentes fases da família. Os encontros, por sua vez, deixam memórias ligadas aos caminhos e às sombras.

Hoje, o jardim também faz parte da experiência de hospedagem. Ele acolhe quem procura uma pausa, oferece acesso à praia e aproxima os visitantes da história do Refúgio.

Como observar o jardim durante a hospedagem

Para perceber melhor esse patrimônio vivo, vale visitar o jardim em horários diferentes. Pela manhã, a luz revela detalhes das folhas e das flores. Depois, no fim da tarde, o verde muda de tonalidade e acompanha as cores da baía.

Também é interessante observar sem pressa as relações entre as espécies. Bromélias ocupam diferentes alturas, orquídeas criam pontos delicados e árvores maiores organizam áreas de sombra. Dessa maneira, o passeio revela um jardim formado tanto pelo planejamento quanto pelo tempo.

No Refúgio do Cacupé, natureza e memória crescem juntas. Talvez seja essa continuidade que torne o jardim tão particular: ele não apenas ocupa o terreno, mas conta o tempo.