A arquitetura do Refúgio do Cacupé começou com um sonho familiar em 1992. O arquiteto e professor Nelson Saraiva iniciou o projeto naquele ano, diante da Baía Norte de Florianópolis.
A construção avançou durante décadas. Por isso, o conjunto carrega diferentes fases de uma mesma ideia: criar um lugar ligado ao mar, à vegetação e à convivência.
Em vez de tratar a paisagem como pano de fundo, o projeto a incorporou à experiência. Janelas, sacadas e áreas de permanência direcionam o olhar para a água e para o pôr do sol.
Uma arquitetura orientada pela paisagem

O terreno na ponta do Cacupé apresenta uma relação direta com a costa. Portanto, a implantação precisava considerar vistas, desníveis, vegetação e acesso à praia.
Hoje, todos os quartos oferecem vista para o mar. A maioria conta também com sacada privativa. Essas características mostram como a orientação do edifício se tornou parte central da hospedagem.
Além disso, os ambientes aproximam o visitante das mudanças do dia. A luz da manhã, o movimento da Baía Norte e os tons do fim da tarde entram na rotina dos quartos.
A arquitetura também se relaciona com o jardim cultivado há quase 50 anos. Árvores, orquídeas e bromélias acompanham fachadas, caminhos e áreas de descanso.

Detalhes que preservam memória
Um projeto construído ao longo de tanto tempo acumula marcas. No Refúgio, elas aparecem tanto na estrutura quanto nos elementos artísticos e afetivos.
O ipê-rosa chamado de “Balão Rosa” representa essa relação. Nelson Saraiva deu o apelido à árvore, que continua florescendo no jardim. Assim, um elemento natural tornou-se parte da memória arquitetônica.
A pousada também mantém o Espaço Pedra Saraiva de Cultura. O local recebe apresentações, exposições e eventos artísticos. Dessa maneira, a arquitetura continua acolhendo encontros, como acontecia antes da atividade de hospedagem.
As fotografias ligadas a Luiz Carlos Felizardo acrescentam outra camada. O artista registrou as rochas de Cacupé e frequentou a propriedade nos antigos verões entre amigos. Hoje, seu olhar permanece associado aos ambientes do Refúgio.

Da obra familiar à hospedagem
Depois de décadas de construção, a família iniciou a atividade de hospedagem. Essa adaptação trouxe novas necessidades de conforto e serviço, sem eliminar a identidade original.
Os quartos receberam camas king-size, ar-condicionado, frigobar e duchas. Algumas unidades ganharam banheira de hidromassagem, enquanto outras oferecem cozinha ou diferentes configurações.
No entanto, a paisagem continua sendo o elemento comum. O mar pode ser visto a partir de todas as acomodações e ajuda a unificar fases distintas do projeto.
A experiência arquitetônica no cotidiano

Para o visitante, essas escolhas aparecem em gestos cotidianos. Abrir a janela, atravessar o jardim ou sentar na sacada revela relações pensadas entre interior e exterior. Por isso, a arquitetura não precisa de uma explicação técnica para ser percebida.
Ainda assim, conhecer sua origem torna a estadia mais rica. Saber que a obra começou em 1992 e avançou por décadas muda o olhar sobre os detalhes. O edifício deixa de parecer uma estrutura pronta e passa a ser compreendido como parte de uma história familiar.
A arquitetura do Refúgio do Cacupé não conta uma história encerrada. Ela continua mudando com o uso, com o jardim e com cada novo hóspede. Ainda assim, preserva a ideia iniciada em 1992: construir em diálogo com o lugar.